Por que sugar, engolir, respirar, mastigar e falar é tão importante quanto andar?

Sabe-se que a Fonoaudiologia é a ciência que tem como objeto de estudo a comunicação humana, no que se refere ao seu desenvolvimento, aperfeiçoamento, distúrbios e diferenças, em relação aos aspectos envolvidos na função auditiva periférica e central, na função vestibular, na função cognitiva, na linguagem oral e escrita, na fala, na fluência, na voz, nas funções orofaciais e na deglutição."

À saber, as funções orofaciais são: sucção, deglutição, respiração, mastigação e fala.

Tão importante quanto aprender a andar, desenvolver estas funções também é bastante relevante na vida do indivíduo, pois é o exercício delas que conduz o crescimento da nossa face até o final da vida.  Desde a fase intra-uterina, o feto já suga e engole. Estas funções surgem para ajudar a desenvolver a musculatura orofacial, preparando-a para o desenvolvimento das demais funções orais após o nascimento.

Ao nascer, surge a respiração, e, teoricamente, enquanto o bebê realiza o exercício de sugar e engolir durante a amamentação está amadurecendo estas funções iniciais e preparando os músculos da face para o despertar da mastigação.

Surgem os primeiros dentinhos e com eles, os movimentos rudimentares da futura mastigação. Os sons da fala também podem ser observados a este turno e a efetiva execução de todas as funções orais já estão presentes no aniversário do 1º aninho.

Respiração, Sucção, Deglutição, Mastigação e Fala, tornam-se, portanto, funções vitais à sobrevivência da criança.

 

Cronologia:

 

Respiração: A respiração pulmonar acontecerá após o nascimento, e tem a função de executar trocas gasosas entre o organismo e o meio, fornecendo o oxigênio necessário para a manutenção metabólica dos tecidos.

Sucção e Deglutição: Tanto a sucção quanto a deglutição estão presentes já na vida intra-uterina. Após o nascimento, a sucção é o ato reflexo que mais se destaca até 4º mês de vida, a partir daí passa a ser de controle do próprio bebê, tendo como função essencial dar estímulo de crescimento para as estruturas orofaciais da criança (língua, lábios, bochechas, mandíbula, musculatura facial, etc). Posteriormente esta função será substituída pela mastigação.

A deglutição também aparece como um reflexo oral. É definida como seqüência de contrações da musculatura oral destinada a levar o alimento, da boca ao estômago. Inicialmente com padrão infantil ao nascimento, amadurece com a mudança das consistências alimentares oferecidas à criança. E ao final do 1º aninho de vida já pode-se considerar madura.

Mastigação: Seguindo a evolução natural da espécie humana, eis que surgem os primeiros dentinhos da criança por volta dos 6-7 meses de vida, levando-a à necessidade da introdução de outros alimentos que não só o leite materno.

A mastigação não se inicia ao surgimento dos primeiros dentinhos, porém, com a alternância das consistências alimentares, já está sendo estimulada. E, assim como inicialmente o bebê necessita sugar para desenvolver suas estruturas orais, posteriormente, necessitará mastigar para continuar seu desenvolvimento e amadurecimento.

Após a erupção dos dentes de leite, a mastigação torna-se uma função condicionada, necessitando, portanto, de treino.

Fala: Concomitantemente a estas evoluções das funções, a fala e a linguagem já começam a ser estimuladas desde as primeiras trocas que o bebê faz com a mãe, porém, as primeiras palavrinhas poderão surgir apenas por volta do 1º aninho de idade. Até lá, o poder de compreensão do bebê continua sendo maior do que sua capacidade para falar.

Como as demais funções orais, a fala passa por evolução, os movimentos necessários para a produção da fala, têm início junto com o surgimento dos primeiros dentinhos aos 6-7 meses (lalação, balbucio), e daí para frente, seu desenvolvimento dependerá do bom desempenho das demais funções: respiração, sucção, deglutição e mastigação.

A interação pais x filhos no processo de aprendizagem é da maior importância, pois serão estes adultos os modelos de linguagem que guiarão as crianças à sua condição de ser humano pensante e falante.

Na troca, no diálogo com os pais, e, posteriormente com os outros, está a chave da aquisição da linguagem para uma aprendizagem sadia.

A falta desta interação pode desenvolver uma criança imatura, retraída, tímida e pouco expressiva, podendo levá-la ao desinteresse pela escola e pela comunicação.

 

"Não há uma função principal para o crescimento oral da criança, todas são essenciais para o bom desenvolvimento bio-psico-social do indivíduo. Devemos, portanto, respeitar os sinais de evolução estimulando sempre!"