O despertar do desenvolvimento da linguagem da criança!

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  Existem algumas características que podem ou não afetar o desenvolvimento da fala, sendo algumas delas possíveis de serem detectadas em todas as fases do desenvolvimento de uma criança. Por isso, elencarei aqui alguns destes aspectos fonoaudiológico que todos pais, cuidadores e até mesmo os professores, para aqueles que já frequentam a escola ou creche, devem observar nas crianças de três a quatro anos.

  Em primeiro lugar, destaco a troca dos sons na fala. Uma criança nesta idade geralmente já pode contar com um vocabulário de cerca de até 500 palavrinhas, com as quais consegue até formar frases. Porém, quando ela começa a trocar os sons é preciso um olhar mais atento. Existem algumas trocas que são consideradas normais para a idade, mas há outras que são motivos de preocupação e que é precisam ser investigadas para detectar o real motivo da criança trocar esses sons na fala ou por que a criança não está conseguindo se expressar.

  Cada criança tem o seu tempo de desenvolvimento, sua forma de crescimento e maturidade. Mas, entre um dos motivos que podem fazer com que esta fala esteja atrasada é o uso dos hábitos viciosos como chupetas, mamadeiras, sucção digital (chupar o dedinho), além da questão da fraldinha e do cheirinho. Estas são questões que precisam ser muito bem avaliadas juntamente com os pais, para saber a frequência e a intensidade destes hábitos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é indicado que a retirada destes hábitos seja feita até os dois anos de idade. Isso porque uma criança com três anos que tem o hábito de chupar chupeta, por exemplo, pode vir a desenvolver algum problema na linguagem e na fala.

  Além disso, estes hábitos viciosos, afetam igualmente o desenvolvimento morfológico da criança como arcada dentária, céu da boca, muitas vezes deixando a língua mais molinha do que o normal (chamada de língua hipotônica) e a respiração bucal – porque como ela chupa chupeta, acaba respirando pela boca e não pelo nariz que seria a forma mais correta.

  Outro aspecto que me preocupa bastante é fala mais infantilizada do que é esperado. Apesar de serem crianças, a linguem de uma criança de quatro anos que ainda fala como muito um bebê é preocupante. Chamamos este tipo de linguagem “Tatibati”, e é preciso avaliar o motivo disso estar acontecendo. Nesse ponto temos que analisar até mesmo como os pais estão conversando com essa criança. Às vezes queremos passar amor e carinho por meio da fala e usamos o diminutivo de uma forma muito bebê, eles podem nos espelham. Por isso, temos que ter atenção nesses casos, conversar até mesmo com o professor para ver se essa fala se repete também na escola.

  O terceiro aspecto que chamo a atenção, é para a mastigação. Isso porque os órgãos da mastigação são os mesmos órgãos da fala, e que nos leva a entender que uma boa mastigação pode contribuir para uma boa fala. Então é preciso ficar atento em como esta criança está se alimentando. Será que está ingerindo apenas alimentos pastosos e líquidos? Nós sabemos que a partir dos seis meses a criança já tem o reflexo da mastigação. Então com carinho e orientada pelo seu pediatra, a partir desta idade a criança já pode fazer alimentação por meio de alimentos mais sólidos e de forma gradativa. Ainda existem crianças de três, quatro anos que a mamãe acaba batendo tudo no liquidificador ou amassa muito. E isso querendo ou não, por um lado, para não gerar dificuldade para a criança, mas por outro, acarreta no não desenvolvimento correto dos órgãos da mastigação e da fala.

  Por último, destaco a respiração. Quando a criança puxa demais o ar pela boca e não usa o narizinho, é preciso investigar com um otorrinolaringologista se é por hábito ou se, por exemplo, a criança tem uma adenoide ou uma amídala hipertrófica (muito grandes)