DPAC - Causas e tratamentos da desordem do processamento auditivo central​

Existem inúmeras causas para crianças que possam estar apresentando a ‘desordem no processamento auditivo central’, também conhecida por DPAC. Dentre elas, podemos citar: dificuldade para localizar a fonte sonora, saber de onde vem os sons e a que distância estão; dificuldade para entender a fala em lugares ruidosos ( ‘’ sala de aula”), com reverberação, eco ou muitas pessoas falando ao mesmo tempo; entender errado, trocar palavras/frases ouvidas por outras parecidas; dificuldade para memorizar sequências de sons, falta de ritmo ou dificuldade para acompanhar uma fala em maior velocidade ou entender quem fala muito rápido. Podem estar presentes também as dificuldades de leitura e escrita, trocas de letras na fala ou na escrita e dificuldade para aprender uma segunda língua ou música. O distúrbio pode se originar a partir dos primeiros anos de vida ou devido a baixo estímulo sensorial, resultando em dificuldades futuras na organização da linguagem escrita. Conforme explica a mestre em Saúde e especialista em Voz, fonoaudióloga Sabrina Tolentino da Silva, crianças que apresentam DPAC são capazes de ouvir com perfeição, mas não conseguem compreender e organizar as informações corretamente. “Nos primeiros anos de vida é quando ocorrem a formação e o desenvolvimento das vias centrais no cérebro para o início da aquisição da linguagem, registrando palavras, sons e significados que serão usados para sempre, como uma espécie de acervo de dados.

Quando estes registros não acontecem de forma correta, as futuras conexões ficam prejudicadas, refletindo em problemas posteriores na área da fala, da escrita, da compreensão e, principalmente, no processo de aprendizagem da criança”, explica Sabrina. O profissional habilitado para auxiliar no diagnóstico e tratar o DPAC é o fonoaudiólogo, e quanto mais cedo for detectado o problema, maiores as chances de sucesso no tratamento. “Nestes casos, uma fonoterapia específica será aplicada com o objetivo de reabilitação do sistema de processamento auditivo central, de forma individualizada e de acordo com o grau e tipo de DPAC apresentado pela criança”, finaliza Sabrina.

Existem evidências científicas de que o tratamento acústico no ambiente de ensino-aprendizado é um dos fatores de maior impacto na reabilitação. O tratamento consiste em exercícios específicos para as habilidades auditivas alteradas, tarefas de escuta direcionada e sensibilizada e treinamento com fones de ouvido, que pode ser realizado com computador e nas cabinas acústicas com equipamentos de áudio para um adequado controle dos estímulos e das respostas. Nesta caso, Dra. Sabrina, utiliza-se de softwares atualizados além de sites, onde consegue monitorar o paciente tanto em atividades dentro de terapia, quanto em casa. As vezes, tambem este treinamento específico é realizado como um complemento da terapia fonoaudiológica convencional, que trata dos aspectos ligados à fala, linguagem oral e/ou escrita.