Perseverança e Sensibilidade como Bases da Fonoaudiologia

Entrevista Realizada pela Revista Bem Estar n° 58

Quando o assunto é Fonoaudiologia, Sabrina Tolentino é referência em Santa Catarina. Mestre em Saúde e Especialista em Voz, ela acaba de trazer à região um método inédito para auxiliar nos tratamentos de Desordem no Processamento Auditivo Central (DPAC). O distúrbio, que nos últimos dois anos têm registrado um aumento médio de 40% em procura por tratamentos no consultório de Sabrina, só perde em volume de casos para trocas na fala, e quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de reabilitação. O tratamento é inovador e foi desenvolvido por duas doutoras em Fonoaudiologia em São Paulo. Sabrina teve contato com o método durante sua participação no 20º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, que aconteceu em Brasília, e se encantou com a nova tecnologia. “É um apoio essencial à terapia fonoaudiológica, pois consiste num site cujo acesso abrimos ao paciente e ele pode realizar os exercícios necessários, diariamente, em casa. Basta ter um computador, headfone e acesso à internet”, explica. Composto por jogos e práticas onde se estimula a decodificação dos sons, o programa se apresenta de forma lúdica, com desenhos e cores, atraindo e apreendendo a atração da criança, com ganhos substanciais. Com o apoio do programa, o paciente se exercita em sessões de 45 minutos e o fonoaudiólogo pode acompanhar seu desenvolvimento e evolução, direto do consultório. “Como as sessões no consultório são semanais, mas o sucesso do tratamento depende de dedicação e empenho por parte do paciente e seus responsáveis também em casa, este novo método nos auxilia no estímulo à prática por parte da criança, nos permite acompanhar se realmente os exercícios estão sendo feitos e a própria evolução do paciente”, afirma.



Sabrina cursou Fonoaudiologia na Univali (Universidade do Vale do Itajaí) e se formou em 2003. Em seus dez anos de carreira, sempre buscou o aprimoramento constante e participa de cursos de aperfeiçoamento e congressos da área em média cinco vezes ao ano. Neste período, cursou especialização e mestrado, dentro da sua área, e se revela apaixonada pela profissão. Uma grande parcela de seus pacientes são alunos encaminhados por escolas da região e/ou por médicos otorrinolaringologistas e ortodontistas. “A Fonoaudiologia pode reabilitar as pessoas. Com a ajuda dos pais, de profissionais

competentes e éticos e pacientes dedicados, os avanços são transformadores e fazem toda a diferença no sucesso da reabilitação almejada”, enfatiza. Ciente do seu papel como profissional da saúde e da importância da humanização nas relações, Sabrina revela extremo cuidado e respeito nos processos de tratamento. “É preciso ter a compreensão do todo, da fragilidade não somente do paciente que precisa de um tratamento específico, mas também da família que está junto, vivendo este momento delicado. É um apoio que cabe ao profissional oferecer, com esclarecimentos constantes, perseverança e respeito
e, principalmente, amor pelo que está se propondo fazer”, destaca. Apesar do público eminentemente infantil que atende, focado em distúrbios de linguagem oral e escrita, fala, voz, fluência e funções​ orofaciais, Sabrina também trata pacientes adultos, pessoas que​ buscam em seu trabalho aprimorar a capacidade de voz, de comunicação, e corrigir outras deficiências que refletem nos mecanismos da fala. São distúrbios envolvendo rouquidão, gagueira, ronco, língua presa, respiração incorreta – que podem resultar em problemas de mastigação, deglutição e fala, entre outros. “Há muitas limitações que podem acarretar problemas sociais ao individuo, e até profissionais. São questões que não foram tratadas no passado, mas que a Fonoaudiologia, dispondo de toda a tecnologia que hoje está ao nosso alcance, pode auxiliar e devolver a qualidade de vida que este paciente tem direito. Essa é a nossa missão”, finaliza.

Também oferece serviço de Assessoria Escolar, em várias escolas e Centros Educacionais Infantis da região, onde o objetivo Fonoaudiologico educacional difere do consultório, pois na escola o olhar deve ser preventivo. O trabalho promove a saúde fonoaudiológica de alunos, pais e professores, avaliando os alunos, fazendo o encaminhamento – quando necessário, e orientando os pais ao observar alguma dificuldade fonoaudiológica. Aos professores que lidam diretamente com estes alunos é oferecido suporte técnico.

O que é a Desordem no Processo Auditivo Central?

Crianças que apresentam problemas com troca de fonemas, dificuldades para escrever corretamente ou compreender o que lhe é dito podem ser portadoras da chamada “desordem no processamento auditivo central”, também conhecida por DPAC. O distúrbio pode se originar a partir dos primeiros anos de vida, ou devido ao baixo estímulo sensorial, resultando em dificuldades futuras na organização da linguagem escrita. Crianças que apresentam DPAC são capazes de ouvir com perfeição, mas não conseguem compreender e organizar as informações corretamente.“Nos primeiros anos de vida é quando ocorrem a formação e o desenvolvimento das vias centrais no cérebro para o início da aquisição da linguagem, registrando palavras, sons e significados que serão usados para sempre, como uma espécie de acervo de dados. Quando estes registros não acontecem de forma correta, as futuras conexões ficam prejudicadas, refletindo em problemas posteriores na área da fala, da escrita, da compreensão e, principalmente, no processo de aprendizagem da criança”, explica Sabrina. O profissional habilitado para auxiliar no diagnóstico e tratar o DPAC é o fonoaudiólogo, e quanto mais cedo for detectado o problema, maiores as chances de sucesso no tratamento.

Aos 34 anos de idade, Sabrina aposta num cotidiano onde a correria da vida moderna não deve ser maior do que a busca pelo aprimoramento pessoal. Para ela, esse crescimento contínuo do ser humano e seus valores deve caminhar em harmonia com a vida profissional, social e familiar de todo indivíduo. “Uma coisa não pode estar desmembrada da outra. Faz parte de um todo”, explica. Apaixonada pelo que faz e com uma agenda lotada de trabalho, ainda arranja tempo para voluntariar na ONG “Amigo não se Compra, se Adota”, destinada a auxiliar animais carentes, estudar novos métodos de trabalho na sua área e participar de encontros e seminários periodicamente. Solteira, Sabrina conta que viajar pelo mundo é outra paixão, principalmente pela oportunidade de entrar em contato com novas culturas. O tempo vago? “É pouco, mas nesses momentos gosto de ler bons livros e estar com minha família”, revela. Para 2013 ela aposta em algumas metas, como aprender um novo idioma, o Francês, e iniciar um doutorado na área de Fonoaudiologia. “Também, quem sabe, arranjar um tempinho extra para mim e para poder desfrutar mais da convivência entre amigos”, finaliza.

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